Dica

de livro: Sheryl Sandberg, do Facebook, explica o machismo dentro do mercado de trabalho

janeiro 15, 2020 | Shaíze Roth
Dica de livro: Sheryl Sandberg, do Facebook, explica o machismo dentro do mercado de trabalho
Uma das primeiras coisas que descobrimos ao ler Faça Acontecer, de Sheryl Sandberg, é que as mulheres representam 45% da força de trabalho no Brasil e que, ao mesmo tempo, pouquíssimas delas ocupam cargos de liderança. Na dica de livro de hoje, a mais alta executiva do Facebook lança uma discussão sobre o papel e a posição da mulher no mercado de trabalho e a importância da presença feminina em cargos de liderança, e é sobre isso que vamos falar neste texto.

Faça Acontecer é o exemplo de livro que todo mundo deveria ter em sua lista de leitura – tanto homens quanto mulheres. Além de falar sobre os desafios do mercado de trabalho e de transcender em uma carreira mesmo com preconceitos de gênero ainda tão presentes, Sandberg conta suas experiências pessoais e de carreira para buscar entender certas especificidades na carreira de uma mulher e as dificuldades que ela enfrenta durante seu crescimento profissional.

Desde que foi lançado, o livro já vendeu mais de 2,25 milhões de cópias e desencadeou um movimento que já conta com mais de 21 mil grupos de discussão sobre o tema. Não é pouca coisa, não é?

A mudança começa de dentro

Em minha leitura, percebi que, em vários capítulos, o foco principal da autora era sobre a necessidade de que as mulheres tomem as rédeas de suas próprias carreiras para, assim, conseguir crescer profissionalmente. Obviamente, os preconceitos existem, mas, para Sheryl, o foco deve estar nos obstáculos internos, e não externos, que limitam esse crescimento.

Ou seja: é muito mais fácil trabalhar sua autoconfiança e os pontos em que você tem dificuldades do que esperar por uma mudança em curto prazo da estrutura machista dentro das organizações. Já falamos aqui sobre autossabotagem, e isso tem muito a ver com o que a autora aborda em seu livro. Colocar-se como alguém mais frágil ou deixar-se ser colocada para trás, na visão do livro, não facilita nem ajuda a superar essas barreiras.
Dessa forma, é preciso que cada mulher encontre uma forma de trabalhar com essas questões dentro de si, traçando objetivos e entendendo o que é preciso para superar cada um desses obstáculos de forma independente. É claro que o machismo e o preconceito ainda existirão, mas será muito mais eficiente trabalhar de dentro para fora qualquer obstáculo para crescer profissionalmente.

Aprendendo com os erros e evoluindo

Outro ponto positivo da leitura é a capacidade da autora de construir sua narrativa em torno de suas próprias vivências, expondo tanto suas vitórias quanto suas fraquezas, falhas e dúvidas. No texto, é possível encontrar diversos relatos de experiências que Sheryl vivenciou tanto dentro quanto fora do Facebook, e como superou cada uma dessas adversidades no caminho do desenvolvimento pessoal.

Um ponto de reflexão interessante, por exemplo, é a discussão sobre as dúvidas que mulheres têm sobre a própria capacidade, tanto profissional quanto intelectual. Para a autora, isso culminou em dúvidas sobre seu potencial durante toda a escola e universidade, mesmo estando sempre entre os melhores alunos da turma, inclusive durante sua passagem por Harvard, ou mesmo quando quase aceitou trabalhar para o Facebook por uma remuneração menor do que mereceria.

É incrível pensarmos como uma figura tão célebre, executiva de uma das empresas mais poderosas do mundo, possui dúvidas tão comuns e parecidas com as de tantas outras mulheres. Assim como eu, provavelmente você também tenha passado por essas dúvidas, e talvez algumas ainda façam parte do seu dia a dia, certo? É por isso que as estatísticas não bastam: precisamos ler histórias como a de Sheryl para nos conectarmos com o problema e entendermos nosso papel dentro dessa luta por espaço.

Por isso, sempre defendo que, além da busca de conhecimento, a busca pelo autoconhecimento é extremamente importante. Entender melhor seu papel – o nosso papel - dentro de uma empresa, tomar o controle das suas ações e decisões e posicionar-se como alguém que merece sim ocupar esses espaços é o primeiro passo para, internamente, começar a resolver questões de gênero ainda tão presentes.

Se você gostou dessa dica de livro e quer ter acesso a mais conteúdos como esse, além de entender melhor o trabalho que fazemos aqui na Sou, visite o nosso site. Até a próxima leitura!